Saimos de Purmamarca e seguimos em direção ao Paso de Jama
onde fica a aduana da Argentina (limite com o Chile).
As quebradas de Humauaca vão ficando para trás e o terreno
desértico começa a aparecer. Passamos pelas Salinas Grandes situadas ainda na
província de San Salvador de Jujuy e antes da cidade de Susques (na mesma província).
Bom, aí começa uma situação um pouco desagradável. Nossa
principal máquina fotográfica havia nos deixado na mão desde Salta. Simplesmente
ela parou de funcionar. Estávamos apenas com a máquina pequena, mas com o
carregador também estragado. Até compramos um novo carregador em Salta, mas no
caminho de Purmamarca ao Paso de Jama ele simplesmente queimou (La garantia soy
yo!!!). Então restava pouca carga na bateria da máquina pequena e por isso não
pudemos registrar tantas coisas lindas que vimos.
A rota até Susques é muito remota. Desértica e linda ao
mesmo tempo.
| Lhama |
| Lhamas |
| Burrico |
| Estrada para Susques |
| Susques |
Ao chegar em Susques, fomos surpreendidos por um senhor
chamado Valter. Um caminhoneiro de Carazinho/RS, que estava com seu caminhão
quebrado no Paso de Jama, a mais de 4 mil metros de altura, há 4 dias! Nesse
dia, ele havia deixado seu caminhão quebrado e pegou uma carona até Susques com
um outro caminhoneiro, pois já estava ficando sem comida e a transportadora
onde trabalha tinha dado uma previsão de que o buscariam em até 5 dias. No
desespero, ele desceu até Susques de carona, para conseguir comida, telefonar... Nesse instante nós chegamos na cidade e ele
identificou que éramos brasileiros. Conversamos, fizemos amizade e escutamos
sua história. Ele precisava voltar ao Paso de Jama mas não estava vendo ninguém
subir. Então oferecemos carona sem sequer pensar. Sabemos o quanto é importante
ser ajudado numa hora tão difícil.
Passamos por uma situação parecida no ano passo e na mesma
cidade: Susques!!! Na época fomos ajudados por um grupo de brasileiros e que
estavam fazendo expedição na região.
Colocamos o Sr. Valter no carro e começamos a subir em
direção ao Paso de Jama. Conversamos muito. Sobre a região, sobre os medos e
receios e estar em uma região tão desértica, sobre a alegria de morarmos em
nosso país, sobre os mitos e verdades de países como a Bolívia... Enfim, foi
muito prazeroso conhecer o Sr. Valter.
Ao chegar no Paso de Jama encontramos outros caminhoneiros brasileiros.
Inclusive um deles trouxe para o senhor Valter comida para ele poder passar
mais alguns dias “lá em cima”. Nos despedimos, desejamos sorte e saúde e
seguimos nosso rumo desejando que o senhor Valter consiga logo voltar para
casa.
| Com o Sr. Valter |
Passamos pela aduana argentina e continuamos seguindo em
direção ao Chile.
Conseguimos tirar mais algumas fotos antes que a energia
da única máquina que tínhamos acabasse de vez.
| Laguna de Sal ou Salinas |
Bom, a bateria acabou....
Chegamos em San Pedro do Atacama e fomos em direção a
aduana chilena. Uma certa burocracia. A menina foi revistar o carro e quando
viu que tinha taaaantas tralhas, pediu para tirarmos 3 mochilas e passarmos no
detector de metais. Acho que ficou um pouco com preguiça de abrir cada coisa
que tínhamos rsrsrr....
Já era noite quando chegamos em San Pedro. Fomos em
direção a um hotel e não tinha vaga. Fomos em outro e também não tinha vaga.
Fomos em vários e não tinha vaga!!! A cidade estava lotada, afinal, era
feriadãozão (sábado a quinta-feira) de “Fiestas Patrias”. Então, seguimos a um
camping que eu já tinha pré-determinado na programação da viagem. Chegamos lá e
tinha vaga!!! Ebaaaaaaaaaaaa :D
Camping Los Abuelos. Banheiro limpinho, com água quente,
tudo de bom!! Tudo acertado e fomos montar barraca!!
Montamos a barraca, fiz aquela jantinha experta (arroz,
frango com legumes e batata palha), tomamos um vinho gostoso e fomos dormir.
Estávamos satisfeitos e cansados.
No dia seguinte, o Taylor foi no banco para sacar uma
graninha e os caixas estavam SEM DINHEIRO!!!
Fiquei no camping esperando enquanto ele rodava o “pueblo” em busca de
pesos chilenos. Nada!!! Teve que fazer
câmbio com reais. Tínhamos pesos argentinos mas ninguém queria. Então trocou
uns reais por pesos chilenos, voltou ao camping e pagamos nossa estadia.
Agora é pegar estrada e cortar o deserto em direção a Iquique, cidade portuária localizada no litoral norte chileno.
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Agora é pegar estrada e cortar o deserto em direção a Iquique, cidade portuária localizada no litoral norte chileno.
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